sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cykel

Tudo começou aos 5 ou 6 anos de idade, quando irriatada com a demora do meu pai decidi aprender a andar de bicicleta sozinha. Então um belo dia pedi (com toda minha gentileza) para o meu pai tirar as rodinhas da minha bike, mesmo ele não tendo tempo de me ensinar.
Naquele dia levei minha bicicleta para o condomínio onde meus avós moravam e decidi que iria aprender sozinha a andar sem rodinhas, e depois de alguns tombos aprendi!


Não tenho certeza se essa história é verdadeira ou não, eu inventava muita coisa quando era criança, mas é a única memória que tenho sobre como aprendi a andar de bicicleta e estou feliz com ela.


Aos 10 anos vi meu amigo Serginho (caso um dia ele apareça por aqui acho que ele ficará feliz em saber que foi minha inspiração) pedalando sem as mãos no guidão! Ele conseguia até fazer curvas! Incrível! E invejável. Portanto lá fui eu tentar, e depois de alguns tombos aprendi!

Quando morava em Dallas até tentava me aventurar a andar de bicicleta a alguns lugares próximos, mas aquele verão de 40 graus era mais do que tortura.


E até para faculdade fui de bicicleta, economizando mais de 5 reais por dia sem contar todo tempo de espera por aquele ônibus. Algo que não durou muito, já que a ida era muito gostosa por ser só descida, mas como tudo que desce na ida sobe na volta eu logo troquei minha bicicleta por uma moto.

Mas felizmente a história não acaba por ai, parece mesmo que ela mal começou.
Enfim chego ao ponto onde desejava. Copenhagen: cidade das bicicletas.

Esta semana estava revendo minhas cartinhas de despedida e eis que encontro isto:

Não sei quanta noção ela (Luane) tinha sobre a verdade de seu desenho, mas de uma coisa ela está certa, nunca andei tanto de bicicleta na minha vida.

Não só eu, mas 36% dos adultos na Dinamarca andam diáriamente de bicicleta. Seja para o trabalho, escola, mercado, estação de trem e até a noite para os bares e clubes. A bicicleta é o meio de transporte favorito da população Dinamarquesa.


Em todo local que você for você encontrará bicicletas, portanto ciclovias estão por toda parte da cidade.
Você encontrará também várias coisas e lugares somente para bicicletas, tais como semáfaros, estacionamentos, pontes, vagões de trem, e muitas lojas.

Gosto muito do contador de bicicletas em uma das pontes daqui. Conta o fluxo diário de bicicletas e o anual. Mais de 3 milhões este ano (somente naquele local).

Bicicletas para mulheres, para homens, para crianças, sem pedal (fofas demais, para crianças aprenderem a se equilíbrar), bicicletas para duas pessoas, com cestinhas pequenas, com cestas grandes (conhecidas de Christiania bikes), com garupa atrás, com "garupa" na frente (alguém me disse que são perfeitas para carregar 2 caixas de 24 cervejas), dobráveis, com cadeirinha para crianças, mountaibikes, aquelas superleves de corrida, bicicletas, bicicletas e mais bicicletas.


Minha bicicleta



Mas porque?
Ecologicamente correto, hmmm, sim. Barato, hmmm, sim. Fácil e rápido, COM CERTEZA!



E por que não andar de bicicleta em uma cidade plana, num dia de sol e uma temperatura agradável de 25 graus?
E por que não andar de bicileta num dia de outono, com muita chuva e um vento que parece estar sempre na direção oposta da sua?
E por que não andar de bicileta com neve no chão, numa dia escuro as 15:30 com uma temperatura de 0 graus?

Não existe dia ruim, hora ruim, tempo ruim ou situação ruim. Bicicletas estão por toda parte em todos os tempos. They are everywhere!


Para a cidade de Copenhagen nós ciclistas somos tão importantes que algumas ciclovias foram alagardas ("roubando" uma pista dos carros) para suportar a quantidade de bicicletas. Em dias de neve os caminhões retiram as neves primeiro das ciclovias e somente depois das pistas para carros. Se um carro vai virar para a direita e uma bicicleta está próxima a atravessar essa mesma rua o direito é da bicicleta e o carro deve aguardar a bicicleta(s) passar primeiro antes de virar.

E é assim que chego a academia, estação de trem, praia, mercado, 16km de muitas pedaladas para o treino de rugby e muitos outros lugares.

Você está olhando para as bicicletas, certo?

E agora umas estatísticas (super legais) sobre bicicletas na Dinamarca:
- 16% das viagens são feitas de bicicletas
- 24% das viagens abaixo de 5km são feitas de bicicletas
- Todo Dinamarques pelada em média 1.1km por dia (eu faço 5km só para ir e voltar da academia)
- 17% dos homens vão de bicicleta para o trabalho ou escola
- 36% das mulheres vão de bicicleta para o trabalho ou escola

  

Se a bicicleta é o transporte do futuro, eu não sei, mas espero que sim (lá se foi o sonho do jet-pack).

Espero que com ela posso pedalar pelas futuras estradas da minha vida.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Møde en på halvvejen

"Moramos em uma boa casa que fica somente 10 minutos ao norte de Copenhagen, uma vizinhaça confortável e com muitas famílias. Oferecemos um quarto próprio de 14m2, com cama de casal, walk in closet, tv, dvd, aparelho de som e internet wireless..."

...e foi mais ou menos que tudo isso começou um ano atrás. O primeiro contato, aquela imagem de uma linda família, esperando ansiosamente a hora da sua chegada, com uma grande casa de portas abertas para te abrigar e quem sabe aquela linda mesa de jantar, praticamente um banquete para comemorar a mais nova parte desta família Dinamarquesa.

Estaria sendo mentirosa falando que isto é a total realidade da minha vida no momento, mas também estaria sendo mentirosa falando o oposto. Bom, vamos começar a escrever isso de verdade.

Daqui a dois dias estarei comemorando nove meses de Dinamarca; tempo suficiente para que ocorra a fecundação, toda a gestação até o momento do parto. A fase mais rápida de crescimento e desenvolvimento do ser humano (e se não for, ignorem isso, admito que colei muito na escola; ahh, e também garanto que não estou grávida, e só estava tentando dar uma de esperta).

Estes nove meses também marcam a metade da minha estadia como au pair na Dinamarca.

Não é minha intenção usar este blog como um tipo de "querido diário", tanto que não tenho feito algo do tipo. Tampouco tenho a intenção de que muitos leiam o que escrevo por aqui (mas agradeço aos que tem me acompanhado ou pelo menos gastado um pouco de tempo com um ou outro post). Hoje escrevo com um pouco mais de emoção do que os posts anteriores. Não escrevo sobre a Dinamarca, mas sobre o que a Dinamarca tem feito por mim. São resultados, idéias e talvez até reclamações das experiências vividas nestes últimos nove meses.


Como é que uma pessoa pode mudar sua vida de uma forma tão drástica sem necessáriamente ter feito nada a você, ou nada direcionado a você ou intencionalmente a você? Esta afirmação é uma das coisas que eu mais agradeço neste momento. Primeiro por algumas pessoas terem entrado na minha vida, segundo por eu ter dado a oportunidade a mim mesma de conhece-lás e terceiro por estar no lugar certo na hora certa.

Percebi que este assunto de pessoas mudando a vida alheia é bem extensa, portanto vou parar pelos agradecimentos e por ter reconhecido isto.


Mal agradecida. Todas as crianças são mal agradecidas, muitos adolescentes também e pior de tudo, vários adultos também se encontram nesta situação. Talvez faça parte da nossa natureza, ou a rotina nos faz cair em tal ato, seja lá o que for, quero agradecer minha mãe, tias, avós, tiazinha da limpeza, professores, o MUNDO TODO por tantas coisas que tantas pessoas já fizeram por mim. Não é aquele presente no natal ou minha comida preferida no meu aniversário, estes tenho certeza que agradeci no momento. Mas é por cada peça de roupa lavada, tempo passado no trânsito para chegar até a escola (e dar aula para alunos que não estão afim de aprender), pelo lanchinho das tardes, aquele lençol cheiroso, a ração que deram ao cachorro e ainda pior, o cocô recolhido (quando o acordo era que "se você quer cachorro vai ter que cuidar dele") e todas tantas, MILHARES, BILHARES, INFINITAS coisas que fizeram por mim, coisas do dia dia, de rotina, de sempre, aquelas coisinhas que passam despercebidas.

OBRIGADA.

Tak; Tak skal du have; Tusind tak; Mange tak; Se os Dinamarqueses agradecem muito, não tenho certeza, mas que eles tem várias formas de agradecer isso é certeza!

A realidade é que vim para a Europa para limpar casa, lavar roupa e cuidar de criança. E precisava falar isso para que as pessoas não se enganem da vida glamurosa que tenho por aqui (sabe que eu nunca achei que usaria a palavra glamurosa, tanto que tive que usar o google para escreve-lá corretamente). Mas também tenho que dizer que não estou reclamando. E o melhor de tudo isso, é que é passageiro, com contrato com data de término e consigo ver de pertinho os erros dos outros para eu tentar não fazer o mesmo quando chegar minha hora e minha família.


Percebi como é difícil aprender uma língua nova, apesar de já ter feito isso antes as coisas mudam quando você não tem mais 11 anos e não passa 20 horas por dia na escola (ok, exageiro, eram somente 18 horas?!). MAS não tenho dó de ninguém que está estudando uma nova língua e está tendo dificuldades (pelo menos não dos jovens). 75% da população Dinamarquesa fala Inglês. Esses 25% que não falam são os que tem mais de 50 anos. E sabe o que, aprender Inglês foi uma das coisas mais importantes que fiz na minha vida, e sabe mais o que, esta também é uma das línguas mais fáceis do mundo. Get over it, and learn it.


Fui a Alemanha, ai depois fui para a Inglaterra e algumas vezes para a Suécia. Conheci Italianas, Espanholas, Francesas, Norueguesas, Portuguesas, Russas, Australianas, a lista continua (ah sim conheci homens também dessas nacionalidades, mas det lige meget). 
Esta troca cultural é provavelmente o que eu mais amo entre todas as experiências que tenho tido por aqui. E não estou (somente) falando de brincar de WAR. 
O que eles comem, o que eles gostam de fazer, o que é estranho, o que é comum, o que usam, como é o relacionamento entre eles. E cada país, pequeno, grande, conhecido ou totalmente desconhecido, todos encaixadinhos na Europa e cada um com uma cultura completamente diferente da outra.

Como pode existir tanta diferença? Mas que bom que ela existe!

Isto também se torna um tapa na minha cara cara, não necessariamente para doer, mas para me acordar. E o meu país? Gigante comparado a tantos por aqui. E se eu aprendi direito a fazer contas de dividir, dentro da área do Brasil cabem 197 Dinamarcas.
Percebi que não sei valorizar meu país, mas que dei valor a isso e estou pronta para aprender conhece-lo melhor, um dia, quando eu voltar. Ainda assim não espere que eu aprenda a sambar, ainda mais porque o Brasil não é só feito de carnaval, e está mais do que na hora que o resto do mundo fique sabendo disso também!


Para não prolongar muito mais toda essa baboseira mas também para não deixar de mencionar, fico muito feliz em poder ser quem eu sou. Livremente me expressar sem olhares tortos ou omições. E gostaria muito de acreditar que posso viver assim para sempre, e vou.


E com este post, sem pé nem cabeça, eu marco aqui metade desta fase, e reconheço a sorte que tenho por esta oportunidade e agradeço por cada momento e experiência extremamente positiva. Ela poderia ter sido bem diferente, a vida não é um conto de fadas (ou de mágia, hobbits, leões que falam, etc), mas ela depende somente de nós mesmos para que ela se torne especial.

De vez enquando noto a ausência de algumas coisas e percebo que nem tudo está em minhas mãos. E se nada posso fazer para mudar isso então talvez signifique que está na hora de seguir em frente e que se não foi, não era para ter sido (com excessão do meu iphone, Fer, rs).

Só mais uma coisa a dizer: se só com a metade cheguei até aqui não consigo nem imaginar o que acontecerá com o restante, afinal das contas o copo ainda está meio cheio.




domingo, 18 de setembro de 2011

Easy come, easy go.

Eram 20:10 quando sai de casa. Com a minha bicicleta pedalei até a estação mais próxima, esse negócio de levar a bicicleta para todo lugar é coisa de Dinamarques. São longos 600 metros da minha casa até a estação de trêm; de acordo com o google 8 minutos caminhando, nos meus passos somente 6 minutos e na velocidade da minha mountain bike nem 2 minutos. Assim você consegue perceber que o uso da bicicleta é uma estratégia para chegar mais rápido e assim conseguir pegar o trêm das 20:16.


Sem atrasos o trêm chega no horário marcado, e para saber este horário basta checar a tabela no site do trêm ou ainda mais fácil, em um app do seu celular. Não venha com desculpas de atraso por causa dos transportes, os horários de partida e chegada são sempre corretos.


Como se não bastasse a organização de horários, os trêns e metrôs percorrem por toda cidade e seus arredores, e caso você encontre o fim da linha, sempre existirá um ônibus que te levará ao seu destino. Ou se você desejar, leve sua bike junto no trêm, qualquer horário de qualquer dia, só não esqueça de entrar no vagão correto para elas.


Mas não é de horários de trens, nem por onde ele percorre que me encanta e sim os lugares onde ele me leva e as oportunidades de ele permite eu aproveitar. É a facilidade de estar onde eu quero no horário que eu desejo. De planejar e conseguir realizar.


Vivo em uma cidade grande, a maior deste país, e nesta cidade consigo me locomover de um canto ao outro em menos de uma hora. Encontro aqui lojas, cafés, cinema, teatro, museus, pontos turísticos, praças, restaurantes, bares, parques e pessoas. A população total não dá nem 10% da população de São Paulo, mas por outro lado, tenho mais espaço e nada a reclamar da vista.


Amo poder estar onde desejar quando desejar, e poder fazer isso com facilidade. Easy come, easy go.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dear Mr. Potter

I remember watching Harry Potter and the Philosopher’s Stone with my family when it came out, I was amazed. But my parents didn’t like the whole idea of a magical place so they forbid me to watch or read anything about it.

I was so ashamed of saying that I couldn’t watch or read Harry Potter that I told my friends I thought it was silly and stupid and that I had no desires of knowing more about the magical world of Harry Potter. It was only when I was around 18 years old that I had a re-encounter with Harry Potter. My best friend kept telling me how the books changed his life and how I would love to read them. But by then I was used to not knowing anything about it, so it took him about a year to convince me that I should take on this journey.

borrowed the first three books from a friend at work. São Paulo is a big city, and it took me two hours to get to work and sometimes two hours and a half to get back home, so I found out that those 4 hours inside public transports were the best hours for reading. With that I finished the first three books within four days.

The weekend came and I was without the fourth book to read, I was so excited and anxious to know the rest that I could hardly wait till I got back to work to get the other books. But my friend didn’t have them, so I had to search for someone else who did (at the time me and my best friend weren’t talking, so I couldn’t borrow his books). I finally got to borrow the next three books from another colleague. I read them as fast as I could, but sometimes it was impossible to read in the transportation, trying to hold yourself up, your things and read a book at the same time can be a big challenge.

watched all the movies only after I read the books (at that time the Order of the Phoenix was the last one released), I really didn’t know anything about the stories (and could barely remember anything from the first movie, besides the Hogwarts Express and Ron charging the horse in the Wizard’s Chess). So a new amazement came with every chapter. Sometimes I would get home late and would finish the chapter I was reading even before eating, and I have to say: not many things keep me away from food.

The wish to talk with (at the time not so) best friend kept growing stronger and stronger, but unfortunately I couldn’t. I finished the sixth book before the seventh had come out in Portuguese, but fortunately (as you can tell) I speak, read, write and understand English very well. So at the same day, on my lunch break, I ran to the book store and purchased the Deathly Hallows, the English version. Forty two days had passed by from the day I picked up the first book to the time I read the last sentence of the seventh book. It was the most life changing forty two days of my life!

My life, thoughts and conversations were all surrounded by Harry Potter, and it was so nice to meet so many people excited about the story as I was! Just a little while after that my best friend and I got back to talking. We spent weeks just talking about every single Harry Potter detail possible.

That was around 5 years ago, and up to today I feel just as excited about Harry Potter as I did on the day that me and Harry found out he was a Wizard. Today I got the opportunity to see Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2, two days before the world premier. It does not all end here. It will never end; at least not for those who remain faithful to him.

Ellen B., 24, Gryffindor, Brazil (but currently Denmark)


domingo, 26 de junho de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Graduação

A Dinamarca se encontra no hemisfério norte, fazendo com que as estações do ano sejam exatamente as opostas do hemisfério sul. Sendo assim, no mês de junho chegou-se o verão! E o verão se significa sol, praia, mar, viagens, passeios, tempo livre...resumindo: FÉRIAS!

Pelo menos para os estudantes; antecedendo as férias chegam as provas e o final do ano escolar. Para alguns isso significa graduação! Primeiramente quero explicar como funciona a escola na Dinamarca. As crianças entram na série 0 com 6-7 anos de idade. Antes disso não são obrigados irem à escola, mas muitos vão para o børnehave (jardim da infância) ou vuggestue (creche, para os mais novos).

São 10 anos de escola obrigatória, portanto do ano/série 0 a 9. Após isso existem algumas opções, como Gymnasium (3 anos de duração), HF (2 anos), bussisness school (2 anos), escolas técnicas, entre outras opções (desconhecidas pela minha pessoa).

Não sei exatamente qual é o programa escolar de cada opção, e isso não é importante no momento, já que desejo falar sobre a festa de graduação e não o que se passa dentro do tédio da escola.


Os alunos que irão se graduar tem o direito a uma festa, um baile, onde vão de casal com alguém da própria sala ou alguma outra pessoa de seu interesse. Sobre esta festa não sei muito, apesar de ter os visto bem vestidos e alguns dirigindo-se ao local de limosine.


O mais interessante são os chapéuzinhos de graduação. Os formandos andam pela cidade com seus chapéus a semana toda, mostrando que finalmente se formaram e estão prontos para seguir adiante a uma universidade ou trabalho. São distinguidos por cores como: bordô (gymnasium), azul (HF), roxo (bussisness school), amarelo (?) e um com uma faixa de bandeiras (para estudantes de escolas internacionais).

Após uma semana usando o chapéu nas ruas, supermercados, transportes públicos e praticamente qualquer outro lugar, eles se reunem no final de semana para passear pela cidade num caminhão. Algo parecido a um trio elétrico (ou um caminhão de transporte de cavalos), eles andam pelas ruas, chamando atenção com gritos e música alta, festejando sua conquista e com certeza bebendo muita cerveja (já que a bebida alcóolica é considerada legal de consumo a partir dos 16 anos, o país do mundo com a idade mais baixa para tal ato).

Nestes links você poderá ver um pouco dessas festas em caminhões:

Independente de ser bonito, feio ou confortável, os chapéuzinhos são muito famosos e esperados por todos para serem usados. Na minha opinião uma cultura que não deve ser esquecida ou deixada de lado, e pelo visto, não será. E no final das contas, ele é um charme...

...concorda?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Go Hard or Go Home!

Sabe aquela dor de quando você tira um band-aid rápido? Se sua resposta for um sim, então você é capaz de imaginar o que eu senti. Demorou mais chegou, aquele sentimento de "mãe quero ir embora"...e como um piscar de olhos, passou!


Deixe-me começar pelo começo.


20:00 - Cheguei na academia, segunda feira, dia de treino de perna! Aquela janta ainda estava em fase de digestão, eu realmente não deveria ter pego mais um pedaço de carne que sobrou de ontem. Mas se tivesse esperado mais 2 minutos para chegar a academia não teria a oportunidade de sorrir com pequenos detalhes que fazem a maior diferença.


20:10 - Pensava em como esse treino de perna me ferrou na semana passada, pois no dia seguinte estava eu correndo para todos os lados no treino de rugby. Sim, disse rugby. Igual uma barata tonta, não sabia muito bem o que fazer. Mas até as baratas tontas conseguem escapar de vez em quando, ou como foi no meu caso, marcar um ponto. Levei meus pensamentos ao momento onde disse que gostaria de entrar no time, isso significaria que não estaria em casa todas as terças, resultando em diversos pontos de conflitos. Foi ai que começou.


20:20 - Não é mais possível treinar perna de segunda, existem dois monstros na academia que também treinam membros inferiores neste dia e tudo que eu preciso se encontra ocupado, e com cerca de 20 minutos de espera. E foram muito mais que 20 minutos que tive que esperar pela resposta sobre minhas terças feiras de pura coragem e no mínimo, futuros roxos espalhados pelo corpo.


20:30 - Como se não bastasse a lotação da noite, a sauna tinha se deslocado dos vestiários para toda a academia, sintia o suor escorrer pelo meu rosto e costas. Aumentando assim meu (mal) humor. Não se contentando com a espera por uma resposta decidi abordar outro assunto  e recebi como resposta que aquele momento, onde crianças corriam pelo quintal, não era o melhor.


20:40 - Estava prestes a desistir do treino, mas algo me manteve lá, e com os aparelhos necessários à disposição encontrei a força para realizar um dos mais dolorosos exercícios. Por alguns instantes pensei em desistir do rugby, de primeira instância o plano parecia que estava prestes a falir, mas me segurei e como recompensa recebi uma resposta positiva e inesperada. 


20:50 - Apesar de chegar a reta final algo ainda estava faltando, e ficou faltando. Deixei para o treino seguinte meus, não tão sagrados (no momento), abdominais. Embora tudo ter se resolvido percebi que uma parte de mim precisava esclarecer o que tinha se passado pela minha cabeça, não é qualquer coisa que tira minha concentração do treino, a não ser que esta "coisa" venha na forma de 1,70m, 60kg e acompanhado de um cabelo loiro escuro.


21:00 - Um banho mais que necessário! Finalmente a temperatura dos chuveiros foram alterados, uma surpresa mais que agradável para uma pessoa que não suporta sentir calor. A troca de temperatura corporal alterou todos meus sentimentos.


Mas, mesmo já me sentindo outra pessoa não poderia guardar para mim uma hora de pensamentos. E foi exatamente por me sentir diferente que fiz o diferente. Reconhecendo quem sou me surpreendi por não esperar o momento de explosão. Como um banho nem quente nem frio utilizei menos de 5 minutos para colocar os problemas em ordem, uma conversa onde foi percebido por ambas as partes que não temos problema algum.


De uma forma muito sutíl precisava relatar que nem tudo é mil maravilhas por aqui. E nunca será. Nem aqui, nem em qualquer outro lugar. Apesar de amar meus treinos, nem todos os dias me sinto disposta para eles. Apesar de amar morar aqui e vivenciar esta experiência, nem todos os dias me sinto disposta para isso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Forår

A primavera chegou! E junto com ela veio o sol, as flores e a temperatura agradável. Vejo também os insetos que sabe-se lá por onde se escondiam no inverno. E as crianças a correrem pelas ruas, sim ruas! Tudo se transforma, como se derrepente eu estivesse em outro lugar. A mudança de estação ocorre como se Deus desligasse o botão do inverno e ligasse o botão da primavera, as coisas da noite para o dia se transformaram.


Chegou a hora de pegar suas toalhas de pic nic e tirar o pó das churrasqueiras! Vamos ao parque, deitar ao sol, e até se bronzear. Sem necessidade de biquinis, os Europeus acreditam que roupas intímas servem muito bem para um bronze, e aquelas mais corajosas (normalmente acima dos 50 anos) tiram até o sutiã. Sem necessidade de praia, areia ou mar, na grama mesmo elas se deitam.


Acordo as 4 da manhã e vejo que a luz do dia começa a clarear meu quarto, um tanto quanto bonito este fenômeno, até que isso ocorre hoje, amanhã e depois, e quando você se dá conta as cortinas do quarto são fracas e não se consegue mais dormir com o sol do meio dia raiando em plena madrugada. E me preparo para sair, com meus amigos vou desfrutar da noite, são 21 horas e o sol não dá sinais de nos deixar. E este sol se fará mais presente quando o verão chegar.




Ando pelas ruas e imagino a tia Dirce comigo, o caminho que faço em 5 minutos ela demoraria 20. São tantas flores e folhas para se apreciar que me pego a pensar se isso também era visto na minha cidade no Brasil ou se eu simplesmente nunca parei para notar. Aquele caminho cinza e gelado se transformou em colorido e agradável.


 A temperatura está maravilhosa. Nos dias mais gelados, 10 graus. Nos dias mais quentes 20. Perfeito! Pessoas andam nas ruas de shorts, chinelos e camisetas. Alguns levam consigo um leve casaco para se proteger do vento, que está sempre a soprar.


Em meu quintal encontro uma casinha de insetos, com uma tela e uma portinha. Nela pode se encontrar muitas joaninhas e as vezes também caracóis, bichos extremamente fáceis de se ver. Aranhas também circulam por aqui, mas elas é preferível não tocar.






Agora consigo ver porque a temperatura e as estações são tão importantes para os dinamarqueses. E pode ter certeza de que quando o verão chegar e trazer consigo seus (no máximo) 30 graus eles vão reclamar da mesma forma como reclamam dos 0 graus.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dansk Piger

Você as encontra no trem, nos bares, nas academias, nas ruas ou simplesmente na vizinhança. Com o dinamarques (a língua) da dar inveja, fico pensando no que será que elas conversam. Fácilmente as vejo em pequenos grupos, com seus cabelos loiros, lisos e compridos e para acompanhar um par de olhos claros. Ou então as morenas falsas, desacreditando que existem loiras que pintam o cabelo de castanho, algo até então jamais visto.

São em maior parte simpáticas, afinal das contas são dinamarquesas; Te tratam bem nas lojas, na recepção da academia, nas ruas e nos trens por volta das 3 ou 4 da manhã, mas leve em conta que neste último caso elas já se encontram levemente (sendo educada) alcoolizadas.
Claro que ao andar em pares ou trios na academia, no topo da sua adolescência, elas se acham o máximo.

Ao abordá-las para pedir informção dispense a pergunta "do you speak english?", se elas tem mais de 15 anos com certeza falam inglês. Ao abordá-las em bares ou clubes dispense o contato físico, seja criativo e tenha assunto e não espere nada em troca.


Seus cabelos são criativos, novamente educadamente dizendo, penteados dos anos 70 ou daqueles que as meninas de 6 anos fazem em suas Barbies. Suas roupas, em maior parte, curtas (faça sol ou faça neve) e as vezes um pouco diferente, contendo um senso peculiar em combinação de cores e estampas. Mas tudo isso faz delas extremamente interessantes, sendo incapaz de não percebe-las, como também gastar alguns minutos para apreciá-las.

Criadas para serem independentes, são de opinião forte e sabem se virar sozinhas. As meninas dinamarquesas se tornam mulheres de personalidade.

Apesar de tudo isso, acredito que o Hans Christian Andersen, ao escrever seu famoso conto "A Pequena Sereia", não se inspirou nas vozes das dinamarquesas. A encantadora voz de uma sereia é difícilmente e infelizmente encontrada.


 Caroline Wozniacki - Jogadora de tennis número 1 do mundo e para acompanhar o texto, uma menina dinamarquesa.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Barnevogn

São quase meio dia, o sol brilha, hoje é um dejligt vejr (dailit veer, algo mais ou menos assim), é mais um bom tempo, é um tempo amável, essas são palavras que saem da boca de um menino dinamarques. E a temperatura, 13 graus, acredite, realmente é um dejligt vejr!


O almoço está na mesa, um pedaço de rugbrød e um copo de suco, foram longos 2 minutos para prepará-lo. E logo após é a hora da soneca. E lá vamos nós para o barnevogn...barn = criança; vogn = carrinho. O carrinho da criança se encontra lá fora e é lá que todos vão dormir. Faça chuva, sol, neve...não importa. A ideia é que o ar fresco faz bem e por este motivo todas as crianças se encontram lá fora para dormir.



Os países da Scandinavia conhecem esta cultura, mas nenhum tanto quanto a Dinamarca. Uma tradição nacional que pelo visto não acabará tão cedo, muito menos tão tarde. Ao colocarem suas crianças no barnevogn pais continuam com seus planos normalmente, isto é, mesmo que seja hora de entrar em um restaurante ou uma loja suas crianças continuam a dormir lá fora, como se fosse a coisa mais natural de se ver...e é!


Faça um passeio entre 12-14 horas e veja com seus próprios olhos carrinhos sendo empurrandos com as crianças a dormir, carrinhos sendo colocados ao lado de vitrines ou janelas com as crianças a dormir.
Claro que o preparo no verão é diferente do inverno, roupas especiais são utilizadas quando a temperatura se encontra abaixo de zero e pode ter certeza, quentinhas elas estão.



Nas creches acontece os mesmos, são carrinhos de madeira, enfileirados um ao lado do outro, geralmente coloridos, onde todos dormem ao mesmo tempo, respirando o ar fresco.


Entre todas as curiosidades esta é minha favorita, a que mais me espantou no começo e a que mais me encanta hoje. Mas agora tenho que ir, são 14:30 e minha Isabella se encontra lá fora, pronta para logo acordar e continuar sua tarde como todas as outras criancinhas dinamarquesas. 



sexta-feira, 15 de abril de 2011

A crise dos 3 meses

Tudo começa com um choro, o mesmo de todos os dias, seus cabelos loiros cacheados perdem o encanto quando por muitas vezes só consegue se ouvir uma palavra ao meio de tantos buááás,  "mor" (significado = mãe; lê-se: moa). A vontade de tê-la em meus braços, brincar e rir é grande, é mais do que ter uma criança que goste de mim, pois isso eu sei que tenho; a vontade é de se sentir útil e fazer o que eu vim aqui para fazer...aliviar a família dos choros, correrias e proporiconar à eles tempo livre.


É a idade, é a língua e também o costume de sempre estar com a mãe...


Lá se foram três meses e junto com eles se foi o novo, o curioso e todo mistério que minha nova vida aguardava. Agora vêm a rotina, os horários da escola, as terças e quintas da natação, os dias do trabalho X e do trabalho Y.


Pedalo à academia esperando encontrar lá uma solução para o meu stress ou pelo menos um alívio, encontro dificuldade no começo, mas devagar percebo que a quantidade de peso na barra trás olhos curiosos, mesmo aqui do outro lado do mundo. E ao finalizar o treino sento em um dos sofás da recepção, tomando minha água achocolatada e ainda recebo um sorriso da loira que se encontra atrás do balcão.


Em casa finalmente conquisto  a pequena e vamos brincar na caixa de areia que se encontra em nosso quintal. Alguns castelos construídos e destruídos, mas o importante é o sorriso e a confiança em segurar minha mão na hora de ir para a rua. Na frente de casa não somos as únicas, vejo bicicletas e escuto as risadas vindo dos vizinhos que também sairam para aproveitar o sol forte, que faz de 10°c ser uma temperatura muito agradável.


São 19hrs, terminamos a janta, tarde demais por estar na Dinamarca, mas é sexta e todo mundo merece um pouco de sussego. Que tal pegar o carro novo e tomar um sorvete próximo ao mar?


Crise? Que crise? No máximo duas horas de stress uma vez por semana. Já se foram três meses e que venham mais quinze, na mesma velocidade e com a mesma intensidade desta rotina de dona de casa.



sábado, 26 de março de 2011

Língua Dinamarquesa - Números

E o alarme soa as 7:30, horário cujo eu já me encontro acordada, por trás da minha porta escuto sons de uma pequena criança brincando com a mesa de ferramenteiro, um brinquedo que obviamente foi dado ao seu irmão mais velho e pouco utlizado pelo bom estado e o fato que se encontra dentro de um banheiro.


Me levanto para mais um dia na escola, a qual fico feliz de ir, e se pudesse iria todos os dias da semana, não somente três. A questão é aprender a língua, apesar da maioria ao meu redor me compreender, meu desejo é compreende-los em sua própria língua, muito mais utilizada nas rodas de amigos.


Como qualquer outro curso o importante no momento é saber o básico. E se perguntarem sei muito bem responder meu nome, de onde venho, que lingua falo e até me arrisco no número do celular.


Foi exatamente nos números que me surpreendi; não pelo fato de em uma semana ser capaz de contar até 100, mas pelo modo como se faz isso. Deixando de lado agora meu lado poético (haha) explicarei minha supresa.


en, to, tre, fire, fem, seks, syv, otte, ni, ti, elleve, tolv, tretten, fjorten, femten, seksten, sytten, atten, nitten, tyve...


tyve = 20


Logo 21 seria tyveogen (og = e)...mas nada disso; enogtyve = 21. Portanto umevinte se fosse em português. E assim continua, toogtyve, treogtyve...
E isso eu acho incrível, e continua no  30 (tredive), 40 (fyrre), 50 (halvtreds), 60 (tres), 70 (halvfjerds), 80 (firs), 90 (halvfems) e 100 (hundrede).


É só eu que acho isso incrível e interessante? Com certeza um pouco confuso, mas depois você pega o jeito e fica bem legal!

terça-feira, 15 de março de 2011

Tilbage

E como demorou para chegar aqui, 22 horas entre aeroportos, voos e espera. A primeira vista foi deslumbrante, como se estivesse em um filme ou dentro dos meus sonhos. Longos vídeos pois tudo me fascinava e as primeiras conversas traziam insegurança com uma mistura de felicidade, pois finalmente olhava nos olhos dos quais se tornariam minha nova família.


1440 horas = 60 dias = 2 meses...se passaram em um piscar de olhos. Sem ao menos perceber as ruas se tornaram familiares, os caminhos já os conheço mentalmente como também nos dias nublados, os de chuva ou como hoje, ensolarados.


A língua já não me parece estranha, muito pelo contrário, me vicia, fazendo com que meus esforços se voltem ao entende-la e aprende-la. E a cada nova palavra, cada nova frase, uma conquista. Compreender as falas infantis tornam a vivência mais enriquecedora.


E a luz do dia hoje se completa com o sol que decide aparecer mais vezes. Duas horas a mais durante a manhã e duas a mais durante a noite. E com cada minuto a mais de luz do dia mais que eu gosto deste lugar, me sinto em casa, me sinto bem e chego a conclusão que sim, eu realmente gosto mais do frio do que o calor.


Dois meses se passaram, não tenho como recuperá-los nem vive-los novamente. Mas não é necessário voltar no tempo quando se sabe que cada minuto que se passou foi vivido intensamente, sem arrependimentos de não ter feito exatamente o que se tinha em mente. 
Somente mais 16 meses, dos quais vou vive-los para serem para sempre lembrados. E quem sabe no mínimo só mais 16...quem sabe?

domingo, 13 de março de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Night Watchers

São três da manhã em um final de semana, os jovens dinamarqueses se encontram espalhados pelo centro da cidade, isto é próximo a Universidade de Copenhagen e todas ruazinhas que cruzam a Strøget, a maior rua de pedestres da Europa.


As escadas de cinco degrais levam para uma pequena porta em um edifício qualquer, ao descer e abrir a porta é possível encontrar um bar, geralmente com pouca iluminação, algumas cadeiras, mesas e até pequenos sofás. Lugares pequenos como estes abrigam jovens que se reunem com os amigos para se divertir, beber e dançar. 


Porém o mais interessante não se encontra dentro dos bares e clubes, mas sim nas ruas. São aqueles adultos, definitivamente velhos demais para festejar com os jovens bebâdos; não que estes não podem se divertir, mas acredito eu que já passaram desta fase e preferem outros tipos de atividades.
Então o traz estas pessoas as ruas? Vestindo suas jaquetas amarelas neon eles andam em pequenos grupos, geralmente de três, carregam consigo um bom humor, boa vontade, camisinhas e baladas de lakris (doce dinamarques não muito apreciado pelos brasileiros que se aventuram por aqui, mas existem suas exceções, por exemplo eu).


São os Night Watchers, um grupo de pais voluntários que revezam suas noites nos finais de semana para manter o bom clima da diversão dos jovens pela cidade. Eles estão lá para acalmar os bebâdos, conversar com os que querem brigar e evitam de chamar a polícia, mas caso seja necessário, os "politi" chegam imediatamente, devido ao forte relacionamento entre eles.


Sem lucro eles vivem pela pura vontade de ver seus filhos, amigos dos seus filhos e estranhos se divertirem de uma forma segura, fazendo deles mais uma curiosidade agradável aos meus olhos de turista, e quem sabe, de uma futura e adotada dinamarquesa.

terça-feira, 1 de março de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Bad

You know I'm bad, I'm bad, I'm really really bad.

Bom, não é este bad que estou falando sobre. A pronuncia se parece com "bel" e siginifica banho.
Banho é uma coisa interessante no mundo Dinamarquês, para os adultos, nem tanto, estes tomam banho uma vez por dia, mas acham estranho que no Brasil muitas pessoas acabam tomando banho duas (ou até mais) vezes por dia.

Era a minha segunda noite neste país gelado. A torneira foi colocada para o lado esquerdo, porque como todos sabem, para este lado a água sai quentinha. E assim a banheira começou a se encher. Vergonha de ficar pelado na minha frente não houve, talvez porque são crianças ou talvez porque aqui a nudez não é tratada de uma forma maliciosa. Todos nascemos pelados, não é?

O sabonete líquido, a forma mais comum encontrada por aqui, o que me leva a pensar que até agora não vi nenhum sabonete de barra à venda, somente um na casa dos avós, que pode ter sido adquirido em 1990. Enfim, o sabonete líquido foi espalhado em uma toalhinha e com ela o corpo das crianças foi esfregado.

Mas calma, ainda não acabou não, vem cá vem...uma esfregadinha aqui, uma coçadinha ali, faz a volta põe a roupa e ...alguém sabe como escrever o som que o ratinho do castelo rá tim bum faz quando ele termina a música do banho?

Os cabelos não foram lavados, acho que eles preferiram deixar para a noite seguinte. Mas a noite seguinte não era noite de banho! Banho todos os dias, nas crianças? Você deve estar ficando maluco! Banho aqui um dia sim um dia não, e em alguns casos, só no terceiro dia. E você pensa que pelo menos o cabelo seria lavado todas as vezes.

Sai pelo mundo (mundo = Copenhagen) perguntando para alguns dinamarqueses sobre a frequência de banhos quando estes eram crianças e obtive sempre a mesma resposta...nunca todos os dias! Adultos tomam banho todos os dias, crianças não...mas porque? Ninguém soube me responder.

Ninguém soube, até hoje...ouvi saindo da boca da mãe das crianças que banho todos os dias faz mal para a pele das crianças com menos de 10 anos. Disse quem? Cade o artigo ciêntifico? E o que acontece com as crianças que tomam banho todos os dias? Efeitos colaterais?

Tirando você que tem sérios problemas de acne ou queimaduras ou alergias...dê uma olhada na sua pele, tá caindo? Tá manchada? Tá saindo bolhas por todo canto? Ou tá ai, bonitinha, crescendo pelos (eca) e servindo para proteger a parte interna do seu corpo?

Ps: um dos dinamarqueses me afirmou que o irmão de 13 anos não tomava banho todos os dias. Pense na puberdade e o que meninos de 13 anos gostam de fazer quando atingem ela. Sem mais comentários.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - But baby it's cold outside!

O termomêtro marca -5, o vento sopra forte fazendo com que a sensação do frio se torne -10.
São cachecóis, luvas, botas, casacos, saias...ei, saia? Por incrível que pareça é possível encontrar no meio da multidão de casacos, na maioria da cor preta, meninas de meia fina, bota e saia; algumas, menos corajosas, dão preferência as meias de lã.

Ao ver as meninas de 2 anos vestidas da mesma forma se deduz que isto é cultural, que elas cresceram assim, e simplesmente se acostumaram com o frio.

Mas dizem as más linguas dinamarquesas que estas são as adolescentes sem neurônios, que preferem passar frio ao invés de se parecer igual a um pinguin. Eu particularmente acho os pinguis muito elegantes, portanto me inspiro neles antes de sair de casa.

E lá vão eles, andando pelas ruas usando pelo menos 5 peças de roupa a menos do que eu.

Todos reclamam do tempo. TODOS! Talvez seja também cultural reclamar do tempo. Faz sol, chuva ou neve...eles reclamam.
E todos aguardam ansiosamente para a chegada do verão, para reclamar de quão quente está quando o  calor de 25 graus atingir a pele branca.

Os Dinamarqueses nunca estão satisfeitos com o tempo.

Acredito que talvez o importante não é falar bem ou falar mal do tempo, mas não ser atingido por ele. Faça sol, chuva ou neve...lá vão eles de bicicleta, para cima e para baixo. Empurram seus carrinhos de bebê, passeiam e não permitem a temperatura estragar seus planos.

Pelo menos eles não são controlados pelas coisas que o homem não é capaz de controlar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Nobody Cares!

Existem muitas diferenças entre os Dinamarqueses e os Brasileiros. Não existe certo ou errado, melhor ou pior...existem culturas diferentes, opiniões diferentes e pensamentos diferentes. Portanto daqui em diante, quando você se deparar com um post "Cultura Dinamarquesa" entenda que ele serve para ressaltar o que vejo de diferente por aqui, o que me encanta, me assusta, me deixa confusa...mas com certeza o que faz eu abrir minha mente e ver algumas coisas por uma perspectiva diferente.
Com certeza algumas dessas coisas farão parte da minha vida daqui em diante, porque o importante é sempre levar com você as boas coisas que os outros tem a oferecer e deixar com eles as boas coisas que você tem a oferecer.

Nobody Cares - Ninguém se importa.

Hoje eu vou usar a mesma roupa que usei semana passada, a mesma roupa que usei ontem e acho que amanhã continuarei com ela. Minha roupa é marrom, mas só tenho uma bota preta, vou com ela mesmo. E faço isso porque ninguém se importa com o que você está usando. Não é uma questão de má escolha de roupa, é questão de liberdade para ser e usar o que vier a mente! Se minha vó estivesse aqui, e sem querer querendo ela (novamente) usou um sapato diferente do outro a única pessoa que iria perceber isso é ela mesmo (ou nem ela).

Vamos dançar! Mas gingado, rebolado e ritmo é melhor você não esperar ver por aqui. Vamos jogar nossas mãos para o ar e dançar igual um robo...sem vergonha ou medo...seja feliz, dance como você desejar...e as pessoas continuarão sorrindo pra você, sem fofocas ou comentários maldosos.

Tire caquinha do nariz dentro do trem, faça um penteado muito estranho (ou deixe de pentear seu cabelo por duas semanas), faça o que for melhor para você, o que te agrada, não o que o seu vizinho espere que você faça.

Esses são poucos exemplos sobre a cultura Dinamarquesa de não se importar com a vida alheia. Não se importar no sentido de que todos tem o direito de viver a vida como achar melhor, usar, ser e agir da forma que mais lhe agrada.
Na escola das crianças um professor de recreação anda com boné, tenis de skatista, piercing e calça larga e o único comentário que ouvi vindo da mãe foi "esse rapaz é muito legal e muito bom com as crianças".

De muitas esta é uma das curiosidades que mais me agrada.

That time will come, one day you'll see, when we can all be friends.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dreaming my dreams

It's when you start dreaming about it that you realize things have become true. For many of the past sleepy hours have been fulfilled with imagination of my unconscious mind. I have said goodbye more than times than I would have liked to.


Streets start to look more normal, the food more usual and the language recognizable. People's voices and ways are becoming more familiar with each and every minute spent by.


Such an enormous revolution of life, yet I cannot find my self sitting and thinking, planning, even less worrying. I might wonder on the wonders I see stamped on every girls face, that I can foresse will not ever change.


What I was, tends to carry on, I lack on getting the feelings on the right path and keep chasing challenges to be proud of.


It strikes to me that what I've been leaving behind might just be left, for now, and not for good. It is better to be hot or cold, but please, not lukewarm.


More than dreaming my dreams I do believe I'm living them; recognition of such fact can make it even more worth while.


Nothing really matters, anyone can see...nothing really matters, nothing really matters to me.
Any ways the wind blows...

domingo, 30 de janeiro de 2011

13:00 - 16:00

Com hora pra iniciar, 13:00; e hora para terminar, 16:00 os convites foram enviados. Quatro crianças, oito pais, uma festa, aquelas de aniversário para os aniversáriantes do mês curtirem com os colegas de classe.

Cinco minutos para se proteger do frio; bota, casaco, luva, touca e quem sabe mais um casaco, isso tudo acima da roupa normal que tem direito de 3 camadas de calça e blusas.
Mais cinco minutos para chegar a escola, caminhando lado a lado, ouvindo os planos para aquela tarde.
Em um campinho de futebol, a grama sintética foi coberta por neve que a temperatura abaixo de zero não permitiu derreter.
Os barris feitos de madeira continham sacolinhas, em cada uma doces, separados igualmente para não ocorrer brigas.

Enquanto pais e crianças chegavam, outras pessoas brincavam com uma bolinha, o formato era de basquete, mas o jogo, futebol. Por um segundo voltei para a grama Brasileira, um pai fazendo embaixadinhas, mesmo com as mãos no bolso, meninos correndo atrás da bola e meninas, infelizmente, errando de vez em quando o chute.
Mas o vento frio me trouxe de volta a Europa, não reclamo, a temperatura acima de zero se misturou com o sol e fez deste dia o melhor dos últimos.

Todas crianças que confirmaram sua presença chegaram, foram organizadas em duas equipes, simplesmente porque existiam dois barris, não era uma competição, somente uma brincadeira, organizada através de uma fila e um risco na neve, desenhado pela bota de uma mulher.

Um a um esperou sua vez de bater no barril com o bastão, todos brincaram, se divertiram, riram e no final ganharam o tão esperado doce que caiu no chão assim que a madeira se despedaçou, o responsável por isto ganhou uma coroa.
Não houve discussão, nem briga, nem choro, muito menos desorganização.

A festa continuou na casa de um dos aniversáriantes, chegar até lá caminhando com mais de 20 crianças não foi um problema, só cuidado para não pisar no cocô...o que me faz questionar onde se encontra o dono do cachorro e sua sacolinha para manter a calçada limpa. Nem tudo aqui é perfeito.

Uma mesa de jogos permite você escolher entre air hockey, sinuca e pebolim, mais uma vez o futebol ganhou.
Quatro aniversáriantes, quatro presentes por cada criança, da pra imaginar quem chegará na escola pela manhã mostrando não seu novo lego ou boneco de ação ou carrinho, mas sim seus novos cartões da Champions League, e como antes, mais uma vez o futebol ganhou. Infelizmente a felicidade veio ao ganhar o Messi. Nem tudo aqui é perfeito.

No meio de uma menina morena, um asiático, um ruivo e diversos loiros um violão foi encontrado, e foi ai que me encontrei. E foi ai que me encaixei e me comuniquei.
Onde foi parar a hora de cantar parabéns eu não sei. Como a música soa terei que deixar para uma próxima vez. E a decoração do bolo, cada um fez a sua.
Sai muito após as 16:00, o que me faz pensar que nem tudo precisa funcionar como diz no papel e que as pessoas são maleáveis, como também amigáveis.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Floco

Hoje a neve caiu...não muito, o suficiente pra deixar tudo branco, mas fácil de ser removido ou até mesmo de descongelar com o calor do sol que também apareceu no nosso céu.

Diferente de todas outras vezes, não fiz um anjo, nem fiz guerrinhas, muito menos construi um boneco de neve.
Observei. E me apaixonei. Vi a mão de Deus em cada floco de neve, cada um com seu desenho único.

Com meus próprios olhos fui capaz de enxergar detalhes nos flocos, ver seu formato e tamanho...algo que nunca antes parei para fazer.

Queria guardar um pra mim, para nunca se esquecer. Mas nem tudo que é bom dura para sempre, e este floco logo irá evaporar.

Como muitas outras coisas na vida temos que curtir enquanto ainda há tempo. 
E se possível tire fotos!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Não tinha melhor forma de ser recepcionada, e ser reconhecido...lá estava ele segurando uma bandeira, feita com duas folhas grampeadas em um palito, contando com a ajuda de uma impressora e as cores amarelo, verde e azul.


Ele era exatamente como eu imaginava (ou como as imagens demonstraram), um metro e pouco, cabelo curto e loiro, não loiro água; loiro sujo, dando um contraste com sua pele clara, seis anos de idade e um dente mole.
E ela, elegante, com um sorriso no rosto e um starbucks na mão. 


Um abraço, outro abraço e continuo eu a empurrar o carrinho super lotado...nele continha a mudança que estufei em malas e mochilas, sem ter que pagar a absurda taxa de sobrepeso no avião.


Mas não é possível conhecer uma pessoa ou uma cultura em algumas horas, nem menos em uma semana de convivência...mas talvez se deixasse isto para depois estaria tão acostumada aos costumes e jeitos que não saberia o que escrever.


A boa recepção e tratamento se seguiu pelo restante da semana. Em diferentes ocasiões fui obrigada a usar uma frase que espero brevemente deixar de lado, a não tão famosa Jeg forstå ikke Dansk; similar a uma bem utilizada em 1998: I don't speak English.
De qualquer forma, neste país quem não fala inglês provavelmente tem mais de 60 anos, mas existem suas excessões, como percebi ao conhecer uma parte dos avós.


Então me encontrei, dentro desta casa, com minha família loira. Um pai e uma mãe que dividem as tarefas. Todo mundo cozinha ou lava a louça ou leva as crianças na escola. Numa sociedade onde homem e mulher saem cedo para trabalhar, não faz sentido existir uma sobrecarga de trabalho de casa em cima da mulher, e neste país eles parecem entender isso. A este tipo de estilo de vida eu consigo me adaptar muito bem, principalmente quando se conta com o fato que sempre pensei que deveria ser assim.


E com este pensamento de igualdade sexual encontrei na festinha da escola mães e pais, reunidos, vendo o trabalho das crianças e degustando bolos e cupcakes trazidos pelos pais. Tenho que admitir que ouvir músicas na lingua da Groenlândia e ver iglus formados de pedrinhas de açúcares não se comparam ao prazer que senti com os cupcakes de blueberry e cookies de chocolate, enquanto tinha uma agradável conversa com uma simpática mãe.


E assim seguem os Dinamarqueses, pelo menos comigo. Eles são legais! Apesar de não darem banho todos os dias nas crianças, mas quer saber...menos trabalho para mim!



Cansado de ler? Me assista no http://www.youtube.com/user/ellencentrica?feature=mhum (pode clicar)