sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cykel

Tudo começou aos 5 ou 6 anos de idade, quando irriatada com a demora do meu pai decidi aprender a andar de bicicleta sozinha. Então um belo dia pedi (com toda minha gentileza) para o meu pai tirar as rodinhas da minha bike, mesmo ele não tendo tempo de me ensinar.
Naquele dia levei minha bicicleta para o condomínio onde meus avós moravam e decidi que iria aprender sozinha a andar sem rodinhas, e depois de alguns tombos aprendi!


Não tenho certeza se essa história é verdadeira ou não, eu inventava muita coisa quando era criança, mas é a única memória que tenho sobre como aprendi a andar de bicicleta e estou feliz com ela.


Aos 10 anos vi meu amigo Serginho (caso um dia ele apareça por aqui acho que ele ficará feliz em saber que foi minha inspiração) pedalando sem as mãos no guidão! Ele conseguia até fazer curvas! Incrível! E invejável. Portanto lá fui eu tentar, e depois de alguns tombos aprendi!

Quando morava em Dallas até tentava me aventurar a andar de bicicleta a alguns lugares próximos, mas aquele verão de 40 graus era mais do que tortura.


E até para faculdade fui de bicicleta, economizando mais de 5 reais por dia sem contar todo tempo de espera por aquele ônibus. Algo que não durou muito, já que a ida era muito gostosa por ser só descida, mas como tudo que desce na ida sobe na volta eu logo troquei minha bicicleta por uma moto.

Mas felizmente a história não acaba por ai, parece mesmo que ela mal começou.
Enfim chego ao ponto onde desejava. Copenhagen: cidade das bicicletas.

Esta semana estava revendo minhas cartinhas de despedida e eis que encontro isto:

Não sei quanta noção ela (Luane) tinha sobre a verdade de seu desenho, mas de uma coisa ela está certa, nunca andei tanto de bicicleta na minha vida.

Não só eu, mas 36% dos adultos na Dinamarca andam diáriamente de bicicleta. Seja para o trabalho, escola, mercado, estação de trem e até a noite para os bares e clubes. A bicicleta é o meio de transporte favorito da população Dinamarquesa.


Em todo local que você for você encontrará bicicletas, portanto ciclovias estão por toda parte da cidade.
Você encontrará também várias coisas e lugares somente para bicicletas, tais como semáfaros, estacionamentos, pontes, vagões de trem, e muitas lojas.

Gosto muito do contador de bicicletas em uma das pontes daqui. Conta o fluxo diário de bicicletas e o anual. Mais de 3 milhões este ano (somente naquele local).

Bicicletas para mulheres, para homens, para crianças, sem pedal (fofas demais, para crianças aprenderem a se equilíbrar), bicicletas para duas pessoas, com cestinhas pequenas, com cestas grandes (conhecidas de Christiania bikes), com garupa atrás, com "garupa" na frente (alguém me disse que são perfeitas para carregar 2 caixas de 24 cervejas), dobráveis, com cadeirinha para crianças, mountaibikes, aquelas superleves de corrida, bicicletas, bicicletas e mais bicicletas.


Minha bicicleta



Mas porque?
Ecologicamente correto, hmmm, sim. Barato, hmmm, sim. Fácil e rápido, COM CERTEZA!



E por que não andar de bicicleta em uma cidade plana, num dia de sol e uma temperatura agradável de 25 graus?
E por que não andar de bicileta num dia de outono, com muita chuva e um vento que parece estar sempre na direção oposta da sua?
E por que não andar de bicileta com neve no chão, numa dia escuro as 15:30 com uma temperatura de 0 graus?

Não existe dia ruim, hora ruim, tempo ruim ou situação ruim. Bicicletas estão por toda parte em todos os tempos. They are everywhere!


Para a cidade de Copenhagen nós ciclistas somos tão importantes que algumas ciclovias foram alagardas ("roubando" uma pista dos carros) para suportar a quantidade de bicicletas. Em dias de neve os caminhões retiram as neves primeiro das ciclovias e somente depois das pistas para carros. Se um carro vai virar para a direita e uma bicicleta está próxima a atravessar essa mesma rua o direito é da bicicleta e o carro deve aguardar a bicicleta(s) passar primeiro antes de virar.

E é assim que chego a academia, estação de trem, praia, mercado, 16km de muitas pedaladas para o treino de rugby e muitos outros lugares.

Você está olhando para as bicicletas, certo?

E agora umas estatísticas (super legais) sobre bicicletas na Dinamarca:
- 16% das viagens são feitas de bicicletas
- 24% das viagens abaixo de 5km são feitas de bicicletas
- Todo Dinamarques pelada em média 1.1km por dia (eu faço 5km só para ir e voltar da academia)
- 17% dos homens vão de bicicleta para o trabalho ou escola
- 36% das mulheres vão de bicicleta para o trabalho ou escola

  

Se a bicicleta é o transporte do futuro, eu não sei, mas espero que sim (lá se foi o sonho do jet-pack).

Espero que com ela posso pedalar pelas futuras estradas da minha vida.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Møde en på halvvejen

"Moramos em uma boa casa que fica somente 10 minutos ao norte de Copenhagen, uma vizinhaça confortável e com muitas famílias. Oferecemos um quarto próprio de 14m2, com cama de casal, walk in closet, tv, dvd, aparelho de som e internet wireless..."

...e foi mais ou menos que tudo isso começou um ano atrás. O primeiro contato, aquela imagem de uma linda família, esperando ansiosamente a hora da sua chegada, com uma grande casa de portas abertas para te abrigar e quem sabe aquela linda mesa de jantar, praticamente um banquete para comemorar a mais nova parte desta família Dinamarquesa.

Estaria sendo mentirosa falando que isto é a total realidade da minha vida no momento, mas também estaria sendo mentirosa falando o oposto. Bom, vamos começar a escrever isso de verdade.

Daqui a dois dias estarei comemorando nove meses de Dinamarca; tempo suficiente para que ocorra a fecundação, toda a gestação até o momento do parto. A fase mais rápida de crescimento e desenvolvimento do ser humano (e se não for, ignorem isso, admito que colei muito na escola; ahh, e também garanto que não estou grávida, e só estava tentando dar uma de esperta).

Estes nove meses também marcam a metade da minha estadia como au pair na Dinamarca.

Não é minha intenção usar este blog como um tipo de "querido diário", tanto que não tenho feito algo do tipo. Tampouco tenho a intenção de que muitos leiam o que escrevo por aqui (mas agradeço aos que tem me acompanhado ou pelo menos gastado um pouco de tempo com um ou outro post). Hoje escrevo com um pouco mais de emoção do que os posts anteriores. Não escrevo sobre a Dinamarca, mas sobre o que a Dinamarca tem feito por mim. São resultados, idéias e talvez até reclamações das experiências vividas nestes últimos nove meses.


Como é que uma pessoa pode mudar sua vida de uma forma tão drástica sem necessáriamente ter feito nada a você, ou nada direcionado a você ou intencionalmente a você? Esta afirmação é uma das coisas que eu mais agradeço neste momento. Primeiro por algumas pessoas terem entrado na minha vida, segundo por eu ter dado a oportunidade a mim mesma de conhece-lás e terceiro por estar no lugar certo na hora certa.

Percebi que este assunto de pessoas mudando a vida alheia é bem extensa, portanto vou parar pelos agradecimentos e por ter reconhecido isto.


Mal agradecida. Todas as crianças são mal agradecidas, muitos adolescentes também e pior de tudo, vários adultos também se encontram nesta situação. Talvez faça parte da nossa natureza, ou a rotina nos faz cair em tal ato, seja lá o que for, quero agradecer minha mãe, tias, avós, tiazinha da limpeza, professores, o MUNDO TODO por tantas coisas que tantas pessoas já fizeram por mim. Não é aquele presente no natal ou minha comida preferida no meu aniversário, estes tenho certeza que agradeci no momento. Mas é por cada peça de roupa lavada, tempo passado no trânsito para chegar até a escola (e dar aula para alunos que não estão afim de aprender), pelo lanchinho das tardes, aquele lençol cheiroso, a ração que deram ao cachorro e ainda pior, o cocô recolhido (quando o acordo era que "se você quer cachorro vai ter que cuidar dele") e todas tantas, MILHARES, BILHARES, INFINITAS coisas que fizeram por mim, coisas do dia dia, de rotina, de sempre, aquelas coisinhas que passam despercebidas.

OBRIGADA.

Tak; Tak skal du have; Tusind tak; Mange tak; Se os Dinamarqueses agradecem muito, não tenho certeza, mas que eles tem várias formas de agradecer isso é certeza!

A realidade é que vim para a Europa para limpar casa, lavar roupa e cuidar de criança. E precisava falar isso para que as pessoas não se enganem da vida glamurosa que tenho por aqui (sabe que eu nunca achei que usaria a palavra glamurosa, tanto que tive que usar o google para escreve-lá corretamente). Mas também tenho que dizer que não estou reclamando. E o melhor de tudo isso, é que é passageiro, com contrato com data de término e consigo ver de pertinho os erros dos outros para eu tentar não fazer o mesmo quando chegar minha hora e minha família.


Percebi como é difícil aprender uma língua nova, apesar de já ter feito isso antes as coisas mudam quando você não tem mais 11 anos e não passa 20 horas por dia na escola (ok, exageiro, eram somente 18 horas?!). MAS não tenho dó de ninguém que está estudando uma nova língua e está tendo dificuldades (pelo menos não dos jovens). 75% da população Dinamarquesa fala Inglês. Esses 25% que não falam são os que tem mais de 50 anos. E sabe o que, aprender Inglês foi uma das coisas mais importantes que fiz na minha vida, e sabe mais o que, esta também é uma das línguas mais fáceis do mundo. Get over it, and learn it.


Fui a Alemanha, ai depois fui para a Inglaterra e algumas vezes para a Suécia. Conheci Italianas, Espanholas, Francesas, Norueguesas, Portuguesas, Russas, Australianas, a lista continua (ah sim conheci homens também dessas nacionalidades, mas det lige meget). 
Esta troca cultural é provavelmente o que eu mais amo entre todas as experiências que tenho tido por aqui. E não estou (somente) falando de brincar de WAR. 
O que eles comem, o que eles gostam de fazer, o que é estranho, o que é comum, o que usam, como é o relacionamento entre eles. E cada país, pequeno, grande, conhecido ou totalmente desconhecido, todos encaixadinhos na Europa e cada um com uma cultura completamente diferente da outra.

Como pode existir tanta diferença? Mas que bom que ela existe!

Isto também se torna um tapa na minha cara cara, não necessariamente para doer, mas para me acordar. E o meu país? Gigante comparado a tantos por aqui. E se eu aprendi direito a fazer contas de dividir, dentro da área do Brasil cabem 197 Dinamarcas.
Percebi que não sei valorizar meu país, mas que dei valor a isso e estou pronta para aprender conhece-lo melhor, um dia, quando eu voltar. Ainda assim não espere que eu aprenda a sambar, ainda mais porque o Brasil não é só feito de carnaval, e está mais do que na hora que o resto do mundo fique sabendo disso também!


Para não prolongar muito mais toda essa baboseira mas também para não deixar de mencionar, fico muito feliz em poder ser quem eu sou. Livremente me expressar sem olhares tortos ou omições. E gostaria muito de acreditar que posso viver assim para sempre, e vou.


E com este post, sem pé nem cabeça, eu marco aqui metade desta fase, e reconheço a sorte que tenho por esta oportunidade e agradeço por cada momento e experiência extremamente positiva. Ela poderia ter sido bem diferente, a vida não é um conto de fadas (ou de mágia, hobbits, leões que falam, etc), mas ela depende somente de nós mesmos para que ela se torne especial.

De vez enquando noto a ausência de algumas coisas e percebo que nem tudo está em minhas mãos. E se nada posso fazer para mudar isso então talvez signifique que está na hora de seguir em frente e que se não foi, não era para ter sido (com excessão do meu iphone, Fer, rs).

Só mais uma coisa a dizer: se só com a metade cheguei até aqui não consigo nem imaginar o que acontecerá com o restante, afinal das contas o copo ainda está meio cheio.




domingo, 18 de setembro de 2011

Easy come, easy go.

Eram 20:10 quando sai de casa. Com a minha bicicleta pedalei até a estação mais próxima, esse negócio de levar a bicicleta para todo lugar é coisa de Dinamarques. São longos 600 metros da minha casa até a estação de trêm; de acordo com o google 8 minutos caminhando, nos meus passos somente 6 minutos e na velocidade da minha mountain bike nem 2 minutos. Assim você consegue perceber que o uso da bicicleta é uma estratégia para chegar mais rápido e assim conseguir pegar o trêm das 20:16.


Sem atrasos o trêm chega no horário marcado, e para saber este horário basta checar a tabela no site do trêm ou ainda mais fácil, em um app do seu celular. Não venha com desculpas de atraso por causa dos transportes, os horários de partida e chegada são sempre corretos.


Como se não bastasse a organização de horários, os trêns e metrôs percorrem por toda cidade e seus arredores, e caso você encontre o fim da linha, sempre existirá um ônibus que te levará ao seu destino. Ou se você desejar, leve sua bike junto no trêm, qualquer horário de qualquer dia, só não esqueça de entrar no vagão correto para elas.


Mas não é de horários de trens, nem por onde ele percorre que me encanta e sim os lugares onde ele me leva e as oportunidades de ele permite eu aproveitar. É a facilidade de estar onde eu quero no horário que eu desejo. De planejar e conseguir realizar.


Vivo em uma cidade grande, a maior deste país, e nesta cidade consigo me locomover de um canto ao outro em menos de uma hora. Encontro aqui lojas, cafés, cinema, teatro, museus, pontos turísticos, praças, restaurantes, bares, parques e pessoas. A população total não dá nem 10% da população de São Paulo, mas por outro lado, tenho mais espaço e nada a reclamar da vista.


Amo poder estar onde desejar quando desejar, e poder fazer isso com facilidade. Easy come, easy go.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dear Mr. Potter

I remember watching Harry Potter and the Philosopher’s Stone with my family when it came out, I was amazed. But my parents didn’t like the whole idea of a magical place so they forbid me to watch or read anything about it.

I was so ashamed of saying that I couldn’t watch or read Harry Potter that I told my friends I thought it was silly and stupid and that I had no desires of knowing more about the magical world of Harry Potter. It was only when I was around 18 years old that I had a re-encounter with Harry Potter. My best friend kept telling me how the books changed his life and how I would love to read them. But by then I was used to not knowing anything about it, so it took him about a year to convince me that I should take on this journey.

borrowed the first three books from a friend at work. São Paulo is a big city, and it took me two hours to get to work and sometimes two hours and a half to get back home, so I found out that those 4 hours inside public transports were the best hours for reading. With that I finished the first three books within four days.

The weekend came and I was without the fourth book to read, I was so excited and anxious to know the rest that I could hardly wait till I got back to work to get the other books. But my friend didn’t have them, so I had to search for someone else who did (at the time me and my best friend weren’t talking, so I couldn’t borrow his books). I finally got to borrow the next three books from another colleague. I read them as fast as I could, but sometimes it was impossible to read in the transportation, trying to hold yourself up, your things and read a book at the same time can be a big challenge.

watched all the movies only after I read the books (at that time the Order of the Phoenix was the last one released), I really didn’t know anything about the stories (and could barely remember anything from the first movie, besides the Hogwarts Express and Ron charging the horse in the Wizard’s Chess). So a new amazement came with every chapter. Sometimes I would get home late and would finish the chapter I was reading even before eating, and I have to say: not many things keep me away from food.

The wish to talk with (at the time not so) best friend kept growing stronger and stronger, but unfortunately I couldn’t. I finished the sixth book before the seventh had come out in Portuguese, but fortunately (as you can tell) I speak, read, write and understand English very well. So at the same day, on my lunch break, I ran to the book store and purchased the Deathly Hallows, the English version. Forty two days had passed by from the day I picked up the first book to the time I read the last sentence of the seventh book. It was the most life changing forty two days of my life!

My life, thoughts and conversations were all surrounded by Harry Potter, and it was so nice to meet so many people excited about the story as I was! Just a little while after that my best friend and I got back to talking. We spent weeks just talking about every single Harry Potter detail possible.

That was around 5 years ago, and up to today I feel just as excited about Harry Potter as I did on the day that me and Harry found out he was a Wizard. Today I got the opportunity to see Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2, two days before the world premier. It does not all end here. It will never end; at least not for those who remain faithful to him.

Ellen B., 24, Gryffindor, Brazil (but currently Denmark)


domingo, 26 de junho de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Graduação

A Dinamarca se encontra no hemisfério norte, fazendo com que as estações do ano sejam exatamente as opostas do hemisfério sul. Sendo assim, no mês de junho chegou-se o verão! E o verão se significa sol, praia, mar, viagens, passeios, tempo livre...resumindo: FÉRIAS!

Pelo menos para os estudantes; antecedendo as férias chegam as provas e o final do ano escolar. Para alguns isso significa graduação! Primeiramente quero explicar como funciona a escola na Dinamarca. As crianças entram na série 0 com 6-7 anos de idade. Antes disso não são obrigados irem à escola, mas muitos vão para o børnehave (jardim da infância) ou vuggestue (creche, para os mais novos).

São 10 anos de escola obrigatória, portanto do ano/série 0 a 9. Após isso existem algumas opções, como Gymnasium (3 anos de duração), HF (2 anos), bussisness school (2 anos), escolas técnicas, entre outras opções (desconhecidas pela minha pessoa).

Não sei exatamente qual é o programa escolar de cada opção, e isso não é importante no momento, já que desejo falar sobre a festa de graduação e não o que se passa dentro do tédio da escola.


Os alunos que irão se graduar tem o direito a uma festa, um baile, onde vão de casal com alguém da própria sala ou alguma outra pessoa de seu interesse. Sobre esta festa não sei muito, apesar de ter os visto bem vestidos e alguns dirigindo-se ao local de limosine.


O mais interessante são os chapéuzinhos de graduação. Os formandos andam pela cidade com seus chapéus a semana toda, mostrando que finalmente se formaram e estão prontos para seguir adiante a uma universidade ou trabalho. São distinguidos por cores como: bordô (gymnasium), azul (HF), roxo (bussisness school), amarelo (?) e um com uma faixa de bandeiras (para estudantes de escolas internacionais).

Após uma semana usando o chapéu nas ruas, supermercados, transportes públicos e praticamente qualquer outro lugar, eles se reunem no final de semana para passear pela cidade num caminhão. Algo parecido a um trio elétrico (ou um caminhão de transporte de cavalos), eles andam pelas ruas, chamando atenção com gritos e música alta, festejando sua conquista e com certeza bebendo muita cerveja (já que a bebida alcóolica é considerada legal de consumo a partir dos 16 anos, o país do mundo com a idade mais baixa para tal ato).

Nestes links você poderá ver um pouco dessas festas em caminhões:

Independente de ser bonito, feio ou confortável, os chapéuzinhos são muito famosos e esperados por todos para serem usados. Na minha opinião uma cultura que não deve ser esquecida ou deixada de lado, e pelo visto, não será. E no final das contas, ele é um charme...

...concorda?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Go Hard or Go Home!

Sabe aquela dor de quando você tira um band-aid rápido? Se sua resposta for um sim, então você é capaz de imaginar o que eu senti. Demorou mais chegou, aquele sentimento de "mãe quero ir embora"...e como um piscar de olhos, passou!


Deixe-me começar pelo começo.


20:00 - Cheguei na academia, segunda feira, dia de treino de perna! Aquela janta ainda estava em fase de digestão, eu realmente não deveria ter pego mais um pedaço de carne que sobrou de ontem. Mas se tivesse esperado mais 2 minutos para chegar a academia não teria a oportunidade de sorrir com pequenos detalhes que fazem a maior diferença.


20:10 - Pensava em como esse treino de perna me ferrou na semana passada, pois no dia seguinte estava eu correndo para todos os lados no treino de rugby. Sim, disse rugby. Igual uma barata tonta, não sabia muito bem o que fazer. Mas até as baratas tontas conseguem escapar de vez em quando, ou como foi no meu caso, marcar um ponto. Levei meus pensamentos ao momento onde disse que gostaria de entrar no time, isso significaria que não estaria em casa todas as terças, resultando em diversos pontos de conflitos. Foi ai que começou.


20:20 - Não é mais possível treinar perna de segunda, existem dois monstros na academia que também treinam membros inferiores neste dia e tudo que eu preciso se encontra ocupado, e com cerca de 20 minutos de espera. E foram muito mais que 20 minutos que tive que esperar pela resposta sobre minhas terças feiras de pura coragem e no mínimo, futuros roxos espalhados pelo corpo.


20:30 - Como se não bastasse a lotação da noite, a sauna tinha se deslocado dos vestiários para toda a academia, sintia o suor escorrer pelo meu rosto e costas. Aumentando assim meu (mal) humor. Não se contentando com a espera por uma resposta decidi abordar outro assunto  e recebi como resposta que aquele momento, onde crianças corriam pelo quintal, não era o melhor.


20:40 - Estava prestes a desistir do treino, mas algo me manteve lá, e com os aparelhos necessários à disposição encontrei a força para realizar um dos mais dolorosos exercícios. Por alguns instantes pensei em desistir do rugby, de primeira instância o plano parecia que estava prestes a falir, mas me segurei e como recompensa recebi uma resposta positiva e inesperada. 


20:50 - Apesar de chegar a reta final algo ainda estava faltando, e ficou faltando. Deixei para o treino seguinte meus, não tão sagrados (no momento), abdominais. Embora tudo ter se resolvido percebi que uma parte de mim precisava esclarecer o que tinha se passado pela minha cabeça, não é qualquer coisa que tira minha concentração do treino, a não ser que esta "coisa" venha na forma de 1,70m, 60kg e acompanhado de um cabelo loiro escuro.


21:00 - Um banho mais que necessário! Finalmente a temperatura dos chuveiros foram alterados, uma surpresa mais que agradável para uma pessoa que não suporta sentir calor. A troca de temperatura corporal alterou todos meus sentimentos.


Mas, mesmo já me sentindo outra pessoa não poderia guardar para mim uma hora de pensamentos. E foi exatamente por me sentir diferente que fiz o diferente. Reconhecendo quem sou me surpreendi por não esperar o momento de explosão. Como um banho nem quente nem frio utilizei menos de 5 minutos para colocar os problemas em ordem, uma conversa onde foi percebido por ambas as partes que não temos problema algum.


De uma forma muito sutíl precisava relatar que nem tudo é mil maravilhas por aqui. E nunca será. Nem aqui, nem em qualquer outro lugar. Apesar de amar meus treinos, nem todos os dias me sinto disposta para eles. Apesar de amar morar aqui e vivenciar esta experiência, nem todos os dias me sinto disposta para isso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Forår

A primavera chegou! E junto com ela veio o sol, as flores e a temperatura agradável. Vejo também os insetos que sabe-se lá por onde se escondiam no inverno. E as crianças a correrem pelas ruas, sim ruas! Tudo se transforma, como se derrepente eu estivesse em outro lugar. A mudança de estação ocorre como se Deus desligasse o botão do inverno e ligasse o botão da primavera, as coisas da noite para o dia se transformaram.


Chegou a hora de pegar suas toalhas de pic nic e tirar o pó das churrasqueiras! Vamos ao parque, deitar ao sol, e até se bronzear. Sem necessidade de biquinis, os Europeus acreditam que roupas intímas servem muito bem para um bronze, e aquelas mais corajosas (normalmente acima dos 50 anos) tiram até o sutiã. Sem necessidade de praia, areia ou mar, na grama mesmo elas se deitam.


Acordo as 4 da manhã e vejo que a luz do dia começa a clarear meu quarto, um tanto quanto bonito este fenômeno, até que isso ocorre hoje, amanhã e depois, e quando você se dá conta as cortinas do quarto são fracas e não se consegue mais dormir com o sol do meio dia raiando em plena madrugada. E me preparo para sair, com meus amigos vou desfrutar da noite, são 21 horas e o sol não dá sinais de nos deixar. E este sol se fará mais presente quando o verão chegar.




Ando pelas ruas e imagino a tia Dirce comigo, o caminho que faço em 5 minutos ela demoraria 20. São tantas flores e folhas para se apreciar que me pego a pensar se isso também era visto na minha cidade no Brasil ou se eu simplesmente nunca parei para notar. Aquele caminho cinza e gelado se transformou em colorido e agradável.


 A temperatura está maravilhosa. Nos dias mais gelados, 10 graus. Nos dias mais quentes 20. Perfeito! Pessoas andam nas ruas de shorts, chinelos e camisetas. Alguns levam consigo um leve casaco para se proteger do vento, que está sempre a soprar.


Em meu quintal encontro uma casinha de insetos, com uma tela e uma portinha. Nela pode se encontrar muitas joaninhas e as vezes também caracóis, bichos extremamente fáceis de se ver. Aranhas também circulam por aqui, mas elas é preferível não tocar.






Agora consigo ver porque a temperatura e as estações são tão importantes para os dinamarqueses. E pode ter certeza de que quando o verão chegar e trazer consigo seus (no máximo) 30 graus eles vão reclamar da mesma forma como reclamam dos 0 graus.
Cansado de ler? Me assista no http://www.youtube.com/user/ellencentrica?feature=mhum (pode clicar)