domingo, 18 de setembro de 2011

Easy come, easy go.

Eram 20:10 quando sai de casa. Com a minha bicicleta pedalei até a estação mais próxima, esse negócio de levar a bicicleta para todo lugar é coisa de Dinamarques. São longos 600 metros da minha casa até a estação de trêm; de acordo com o google 8 minutos caminhando, nos meus passos somente 6 minutos e na velocidade da minha mountain bike nem 2 minutos. Assim você consegue perceber que o uso da bicicleta é uma estratégia para chegar mais rápido e assim conseguir pegar o trêm das 20:16.


Sem atrasos o trêm chega no horário marcado, e para saber este horário basta checar a tabela no site do trêm ou ainda mais fácil, em um app do seu celular. Não venha com desculpas de atraso por causa dos transportes, os horários de partida e chegada são sempre corretos.


Como se não bastasse a organização de horários, os trêns e metrôs percorrem por toda cidade e seus arredores, e caso você encontre o fim da linha, sempre existirá um ônibus que te levará ao seu destino. Ou se você desejar, leve sua bike junto no trêm, qualquer horário de qualquer dia, só não esqueça de entrar no vagão correto para elas.


Mas não é de horários de trens, nem por onde ele percorre que me encanta e sim os lugares onde ele me leva e as oportunidades de ele permite eu aproveitar. É a facilidade de estar onde eu quero no horário que eu desejo. De planejar e conseguir realizar.


Vivo em uma cidade grande, a maior deste país, e nesta cidade consigo me locomover de um canto ao outro em menos de uma hora. Encontro aqui lojas, cafés, cinema, teatro, museus, pontos turísticos, praças, restaurantes, bares, parques e pessoas. A população total não dá nem 10% da população de São Paulo, mas por outro lado, tenho mais espaço e nada a reclamar da vista.


Amo poder estar onde desejar quando desejar, e poder fazer isso com facilidade. Easy come, easy go.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dear Mr. Potter

I remember watching Harry Potter and the Philosopher’s Stone with my family when it came out, I was amazed. But my parents didn’t like the whole idea of a magical place so they forbid me to watch or read anything about it.

I was so ashamed of saying that I couldn’t watch or read Harry Potter that I told my friends I thought it was silly and stupid and that I had no desires of knowing more about the magical world of Harry Potter. It was only when I was around 18 years old that I had a re-encounter with Harry Potter. My best friend kept telling me how the books changed his life and how I would love to read them. But by then I was used to not knowing anything about it, so it took him about a year to convince me that I should take on this journey.

borrowed the first three books from a friend at work. São Paulo is a big city, and it took me two hours to get to work and sometimes two hours and a half to get back home, so I found out that those 4 hours inside public transports were the best hours for reading. With that I finished the first three books within four days.

The weekend came and I was without the fourth book to read, I was so excited and anxious to know the rest that I could hardly wait till I got back to work to get the other books. But my friend didn’t have them, so I had to search for someone else who did (at the time me and my best friend weren’t talking, so I couldn’t borrow his books). I finally got to borrow the next three books from another colleague. I read them as fast as I could, but sometimes it was impossible to read in the transportation, trying to hold yourself up, your things and read a book at the same time can be a big challenge.

watched all the movies only after I read the books (at that time the Order of the Phoenix was the last one released), I really didn’t know anything about the stories (and could barely remember anything from the first movie, besides the Hogwarts Express and Ron charging the horse in the Wizard’s Chess). So a new amazement came with every chapter. Sometimes I would get home late and would finish the chapter I was reading even before eating, and I have to say: not many things keep me away from food.

The wish to talk with (at the time not so) best friend kept growing stronger and stronger, but unfortunately I couldn’t. I finished the sixth book before the seventh had come out in Portuguese, but fortunately (as you can tell) I speak, read, write and understand English very well. So at the same day, on my lunch break, I ran to the book store and purchased the Deathly Hallows, the English version. Forty two days had passed by from the day I picked up the first book to the time I read the last sentence of the seventh book. It was the most life changing forty two days of my life!

My life, thoughts and conversations were all surrounded by Harry Potter, and it was so nice to meet so many people excited about the story as I was! Just a little while after that my best friend and I got back to talking. We spent weeks just talking about every single Harry Potter detail possible.

That was around 5 years ago, and up to today I feel just as excited about Harry Potter as I did on the day that me and Harry found out he was a Wizard. Today I got the opportunity to see Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2, two days before the world premier. It does not all end here. It will never end; at least not for those who remain faithful to him.

Ellen B., 24, Gryffindor, Brazil (but currently Denmark)


domingo, 26 de junho de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Graduação

A Dinamarca se encontra no hemisfério norte, fazendo com que as estações do ano sejam exatamente as opostas do hemisfério sul. Sendo assim, no mês de junho chegou-se o verão! E o verão se significa sol, praia, mar, viagens, passeios, tempo livre...resumindo: FÉRIAS!

Pelo menos para os estudantes; antecedendo as férias chegam as provas e o final do ano escolar. Para alguns isso significa graduação! Primeiramente quero explicar como funciona a escola na Dinamarca. As crianças entram na série 0 com 6-7 anos de idade. Antes disso não são obrigados irem à escola, mas muitos vão para o børnehave (jardim da infância) ou vuggestue (creche, para os mais novos).

São 10 anos de escola obrigatória, portanto do ano/série 0 a 9. Após isso existem algumas opções, como Gymnasium (3 anos de duração), HF (2 anos), bussisness school (2 anos), escolas técnicas, entre outras opções (desconhecidas pela minha pessoa).

Não sei exatamente qual é o programa escolar de cada opção, e isso não é importante no momento, já que desejo falar sobre a festa de graduação e não o que se passa dentro do tédio da escola.


Os alunos que irão se graduar tem o direito a uma festa, um baile, onde vão de casal com alguém da própria sala ou alguma outra pessoa de seu interesse. Sobre esta festa não sei muito, apesar de ter os visto bem vestidos e alguns dirigindo-se ao local de limosine.


O mais interessante são os chapéuzinhos de graduação. Os formandos andam pela cidade com seus chapéus a semana toda, mostrando que finalmente se formaram e estão prontos para seguir adiante a uma universidade ou trabalho. São distinguidos por cores como: bordô (gymnasium), azul (HF), roxo (bussisness school), amarelo (?) e um com uma faixa de bandeiras (para estudantes de escolas internacionais).

Após uma semana usando o chapéu nas ruas, supermercados, transportes públicos e praticamente qualquer outro lugar, eles se reunem no final de semana para passear pela cidade num caminhão. Algo parecido a um trio elétrico (ou um caminhão de transporte de cavalos), eles andam pelas ruas, chamando atenção com gritos e música alta, festejando sua conquista e com certeza bebendo muita cerveja (já que a bebida alcóolica é considerada legal de consumo a partir dos 16 anos, o país do mundo com a idade mais baixa para tal ato).

Nestes links você poderá ver um pouco dessas festas em caminhões:

Independente de ser bonito, feio ou confortável, os chapéuzinhos são muito famosos e esperados por todos para serem usados. Na minha opinião uma cultura que não deve ser esquecida ou deixada de lado, e pelo visto, não será. E no final das contas, ele é um charme...

...concorda?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Go Hard or Go Home!

Sabe aquela dor de quando você tira um band-aid rápido? Se sua resposta for um sim, então você é capaz de imaginar o que eu senti. Demorou mais chegou, aquele sentimento de "mãe quero ir embora"...e como um piscar de olhos, passou!


Deixe-me começar pelo começo.


20:00 - Cheguei na academia, segunda feira, dia de treino de perna! Aquela janta ainda estava em fase de digestão, eu realmente não deveria ter pego mais um pedaço de carne que sobrou de ontem. Mas se tivesse esperado mais 2 minutos para chegar a academia não teria a oportunidade de sorrir com pequenos detalhes que fazem a maior diferença.


20:10 - Pensava em como esse treino de perna me ferrou na semana passada, pois no dia seguinte estava eu correndo para todos os lados no treino de rugby. Sim, disse rugby. Igual uma barata tonta, não sabia muito bem o que fazer. Mas até as baratas tontas conseguem escapar de vez em quando, ou como foi no meu caso, marcar um ponto. Levei meus pensamentos ao momento onde disse que gostaria de entrar no time, isso significaria que não estaria em casa todas as terças, resultando em diversos pontos de conflitos. Foi ai que começou.


20:20 - Não é mais possível treinar perna de segunda, existem dois monstros na academia que também treinam membros inferiores neste dia e tudo que eu preciso se encontra ocupado, e com cerca de 20 minutos de espera. E foram muito mais que 20 minutos que tive que esperar pela resposta sobre minhas terças feiras de pura coragem e no mínimo, futuros roxos espalhados pelo corpo.


20:30 - Como se não bastasse a lotação da noite, a sauna tinha se deslocado dos vestiários para toda a academia, sintia o suor escorrer pelo meu rosto e costas. Aumentando assim meu (mal) humor. Não se contentando com a espera por uma resposta decidi abordar outro assunto  e recebi como resposta que aquele momento, onde crianças corriam pelo quintal, não era o melhor.


20:40 - Estava prestes a desistir do treino, mas algo me manteve lá, e com os aparelhos necessários à disposição encontrei a força para realizar um dos mais dolorosos exercícios. Por alguns instantes pensei em desistir do rugby, de primeira instância o plano parecia que estava prestes a falir, mas me segurei e como recompensa recebi uma resposta positiva e inesperada. 


20:50 - Apesar de chegar a reta final algo ainda estava faltando, e ficou faltando. Deixei para o treino seguinte meus, não tão sagrados (no momento), abdominais. Embora tudo ter se resolvido percebi que uma parte de mim precisava esclarecer o que tinha se passado pela minha cabeça, não é qualquer coisa que tira minha concentração do treino, a não ser que esta "coisa" venha na forma de 1,70m, 60kg e acompanhado de um cabelo loiro escuro.


21:00 - Um banho mais que necessário! Finalmente a temperatura dos chuveiros foram alterados, uma surpresa mais que agradável para uma pessoa que não suporta sentir calor. A troca de temperatura corporal alterou todos meus sentimentos.


Mas, mesmo já me sentindo outra pessoa não poderia guardar para mim uma hora de pensamentos. E foi exatamente por me sentir diferente que fiz o diferente. Reconhecendo quem sou me surpreendi por não esperar o momento de explosão. Como um banho nem quente nem frio utilizei menos de 5 minutos para colocar os problemas em ordem, uma conversa onde foi percebido por ambas as partes que não temos problema algum.


De uma forma muito sutíl precisava relatar que nem tudo é mil maravilhas por aqui. E nunca será. Nem aqui, nem em qualquer outro lugar. Apesar de amar meus treinos, nem todos os dias me sinto disposta para eles. Apesar de amar morar aqui e vivenciar esta experiência, nem todos os dias me sinto disposta para isso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Forår

A primavera chegou! E junto com ela veio o sol, as flores e a temperatura agradável. Vejo também os insetos que sabe-se lá por onde se escondiam no inverno. E as crianças a correrem pelas ruas, sim ruas! Tudo se transforma, como se derrepente eu estivesse em outro lugar. A mudança de estação ocorre como se Deus desligasse o botão do inverno e ligasse o botão da primavera, as coisas da noite para o dia se transformaram.


Chegou a hora de pegar suas toalhas de pic nic e tirar o pó das churrasqueiras! Vamos ao parque, deitar ao sol, e até se bronzear. Sem necessidade de biquinis, os Europeus acreditam que roupas intímas servem muito bem para um bronze, e aquelas mais corajosas (normalmente acima dos 50 anos) tiram até o sutiã. Sem necessidade de praia, areia ou mar, na grama mesmo elas se deitam.


Acordo as 4 da manhã e vejo que a luz do dia começa a clarear meu quarto, um tanto quanto bonito este fenômeno, até que isso ocorre hoje, amanhã e depois, e quando você se dá conta as cortinas do quarto são fracas e não se consegue mais dormir com o sol do meio dia raiando em plena madrugada. E me preparo para sair, com meus amigos vou desfrutar da noite, são 21 horas e o sol não dá sinais de nos deixar. E este sol se fará mais presente quando o verão chegar.




Ando pelas ruas e imagino a tia Dirce comigo, o caminho que faço em 5 minutos ela demoraria 20. São tantas flores e folhas para se apreciar que me pego a pensar se isso também era visto na minha cidade no Brasil ou se eu simplesmente nunca parei para notar. Aquele caminho cinza e gelado se transformou em colorido e agradável.


 A temperatura está maravilhosa. Nos dias mais gelados, 10 graus. Nos dias mais quentes 20. Perfeito! Pessoas andam nas ruas de shorts, chinelos e camisetas. Alguns levam consigo um leve casaco para se proteger do vento, que está sempre a soprar.


Em meu quintal encontro uma casinha de insetos, com uma tela e uma portinha. Nela pode se encontrar muitas joaninhas e as vezes também caracóis, bichos extremamente fáceis de se ver. Aranhas também circulam por aqui, mas elas é preferível não tocar.






Agora consigo ver porque a temperatura e as estações são tão importantes para os dinamarqueses. E pode ter certeza de que quando o verão chegar e trazer consigo seus (no máximo) 30 graus eles vão reclamar da mesma forma como reclamam dos 0 graus.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dansk Piger

Você as encontra no trem, nos bares, nas academias, nas ruas ou simplesmente na vizinhança. Com o dinamarques (a língua) da dar inveja, fico pensando no que será que elas conversam. Fácilmente as vejo em pequenos grupos, com seus cabelos loiros, lisos e compridos e para acompanhar um par de olhos claros. Ou então as morenas falsas, desacreditando que existem loiras que pintam o cabelo de castanho, algo até então jamais visto.

São em maior parte simpáticas, afinal das contas são dinamarquesas; Te tratam bem nas lojas, na recepção da academia, nas ruas e nos trens por volta das 3 ou 4 da manhã, mas leve em conta que neste último caso elas já se encontram levemente (sendo educada) alcoolizadas.
Claro que ao andar em pares ou trios na academia, no topo da sua adolescência, elas se acham o máximo.

Ao abordá-las para pedir informção dispense a pergunta "do you speak english?", se elas tem mais de 15 anos com certeza falam inglês. Ao abordá-las em bares ou clubes dispense o contato físico, seja criativo e tenha assunto e não espere nada em troca.


Seus cabelos são criativos, novamente educadamente dizendo, penteados dos anos 70 ou daqueles que as meninas de 6 anos fazem em suas Barbies. Suas roupas, em maior parte, curtas (faça sol ou faça neve) e as vezes um pouco diferente, contendo um senso peculiar em combinação de cores e estampas. Mas tudo isso faz delas extremamente interessantes, sendo incapaz de não percebe-las, como também gastar alguns minutos para apreciá-las.

Criadas para serem independentes, são de opinião forte e sabem se virar sozinhas. As meninas dinamarquesas se tornam mulheres de personalidade.

Apesar de tudo isso, acredito que o Hans Christian Andersen, ao escrever seu famoso conto "A Pequena Sereia", não se inspirou nas vozes das dinamarquesas. A encantadora voz de uma sereia é difícilmente e infelizmente encontrada.


 Caroline Wozniacki - Jogadora de tennis número 1 do mundo e para acompanhar o texto, uma menina dinamarquesa.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Curiosidades Dinamarquesas - Barnevogn

São quase meio dia, o sol brilha, hoje é um dejligt vejr (dailit veer, algo mais ou menos assim), é mais um bom tempo, é um tempo amável, essas são palavras que saem da boca de um menino dinamarques. E a temperatura, 13 graus, acredite, realmente é um dejligt vejr!


O almoço está na mesa, um pedaço de rugbrød e um copo de suco, foram longos 2 minutos para prepará-lo. E logo após é a hora da soneca. E lá vamos nós para o barnevogn...barn = criança; vogn = carrinho. O carrinho da criança se encontra lá fora e é lá que todos vão dormir. Faça chuva, sol, neve...não importa. A ideia é que o ar fresco faz bem e por este motivo todas as crianças se encontram lá fora para dormir.



Os países da Scandinavia conhecem esta cultura, mas nenhum tanto quanto a Dinamarca. Uma tradição nacional que pelo visto não acabará tão cedo, muito menos tão tarde. Ao colocarem suas crianças no barnevogn pais continuam com seus planos normalmente, isto é, mesmo que seja hora de entrar em um restaurante ou uma loja suas crianças continuam a dormir lá fora, como se fosse a coisa mais natural de se ver...e é!


Faça um passeio entre 12-14 horas e veja com seus próprios olhos carrinhos sendo empurrandos com as crianças a dormir, carrinhos sendo colocados ao lado de vitrines ou janelas com as crianças a dormir.
Claro que o preparo no verão é diferente do inverno, roupas especiais são utilizadas quando a temperatura se encontra abaixo de zero e pode ter certeza, quentinhas elas estão.



Nas creches acontece os mesmos, são carrinhos de madeira, enfileirados um ao lado do outro, geralmente coloridos, onde todos dormem ao mesmo tempo, respirando o ar fresco.


Entre todas as curiosidades esta é minha favorita, a que mais me espantou no começo e a que mais me encanta hoje. Mas agora tenho que ir, são 14:30 e minha Isabella se encontra lá fora, pronta para logo acordar e continuar sua tarde como todas as outras criancinhas dinamarquesas. 



Cansado de ler? Me assista no http://www.youtube.com/user/ellencentrica?feature=mhum (pode clicar)